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Ciúme atrapalha relacionamento
Falta de apoio, compreensão e diálogo podem encerrar um namoro
 
Publicado no site do Padre Marcelo
jan/05 e out/05
 

Um dos elementos mais complicadores num relacionamento amoroso é o ciúme. Às vezes, uma amizade mais próxima, um contato para sair ou mesmo uma ligação por engano no celular já indica uma briga que pode ocasionar o fim do namoro.

A falta de diálogo, compreensão e, até mesmo, um acompanhamento psicológico para casos extremos, pode ajudar a evitar que o ciúme caminhe para um conflito mais intenso e interfira de forma negativa e transforme a união em lágrimas e tristeza.

A psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari coloca que o ciúme pode ser encarado de forma positiva. “Como dizia o poeta, o ciúme é o tempero do amor. Todos nós gostamos de sentir que a pessoa que amamos sente algum ciúme de nós, pois entendemos isto como uma demonstração de amor, uma medida de segurança do nosso relacionamento. As pessoas pensam que a ausência do ciúme é sinal de desinteresse, o que não é verdade”, alerta.

A auxiliar administrativo Paula dos Santos Barbosa, 21, se acha uma pessoa ciumenta, mas afirma que isso não atrapalha o seu relacionamento de pouco mais de um ano. “Eu e meu namorado somos bastante ciumentos. Quando o conheci ele brincava com muitas meninas, abraçava, essas coisas, e eu também com meninos amigos meus. Daí a gente conversou, explicamos um ao outro nosso ciúme e resolvemos de comum acordo respeitar um ao outro”, diz.

Desde então, ambos acabaram com o que Paula chamou de “gracinhas” com os amigos, apesar de manter contato normal com eles. “É preciso renunciar algumas coisas quando se quer ficar bem com a pessoa amada. Porque quando você está com alguém não é pra você se fazer feliz, mas pra fazer o outro feliz”, acredita.

Mas nem sempre os casais conseguem soluções pacíficas para se manterem juntos. A psicóloga Tessari explica que as pessoas são levadas a se tornarem possessivas sobre as coisas que possuem, por conta da educação que recebem e da cultura da sociedade. “Assim, fica mesmo difícil eliminar o ciúme, mas é possível mantê-lo num patamar aonde a pessoa ciumenta não sofra e nem provoque sofrimento para aqueles que estão à sua volta”, conclui.

CIÚMES - Tenha cuidado na dose

Ciúme de vez enquando não faz mal a ninguém. Pelo menos é esse o pensamento de grande parte das pessoas que vem esse sentimento como a demonstração de amor ao outro. Porém, o ciúme costuma atrapalhar na medida em que a relação amorosa sofre constantes entraves e brigas, por causa desse ciúme que se transforma em algo ruim .

Para explicar um pouco melhor como funciona o ciúme e até que ponto ele é considerado normal, além do que pode causar quando o comportamento da pessoa passa a se tornar possessivo, conversamos por email com psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari. Confira os principais trechos da entrevista.

Site Padre Marcelo Rossi - O ciúme é algo normal?
Dra. Olga Tessari:
Uma certa dose de ciúme é normal e natural: seria algo como um termômetro que mede o interesse de uma pessoa. Mas isso não quer dizer que, quanto mais ciúme, mais interesse, pelo contrário, quanto maior o ciúme, menos "normal" ele se torna!
 
Site Pe. Marcelo - Até que ponto ele pode atrapalhar um relacionamento?
Dra. Tessari:
Todas as pessoas ciumentas têm um forte sentimento de posse em relação ao outro, a ponto de considerá-lo como alguém que lhes pertence, como se ele fosse um objeto seu. É claro que, quando se chega a este ponto, o relacionamento entra em crise justamente porque ninguém quer se sentir um objeto de ninguém, um bibelô, alguém pronto a satisfazer os desejos da outra pessoa e que deve estar sempre à disposição dela. Além do mais, qual é a pessoa que se sente bem sendo vigiada o tempo todo?

Site Pe. Marcelo - O ciúme tem a ver com a desconfiança gerada pelo outro ou é pura "paranóia" de quem tem ciúme?
Dra. Tessari:
Uma pessoa enciumada se sente na iminência de perder a pessoa amada o tempo todo e sente esta ameaça de perda em todos os lugares e em todas as pessoas que se aproximam da amada! O ciúme tem como causa uma insegurança externa ou interna.
a) causa externa: o(a)  parceiro(a), de alguma forma, dá motivos que provocam insegurança:  já traiu antes ou tem atitudes que promovem insegurança no relacionamento. Neste caso, é o(a) parceiro(a) quem acaba por gerar o ciúme!
b) causa interna: A própria pessoa é insegura consigo mesma e tem motivos da sua vivência anterior para se sentir assim. Neste caso, é preciso que ela faça um tratamento psicológico para aprender a ter confiança e segurança em si mesma, aprendendo a lidar de forma positiva com sua ansiedade, insegurança e ciúmes, porque o ciúme pode acabar com um relacionamento.
 
Site Pe. Marcelo -Esse ciúme mais forte é pelo fato da característica da pessoa ser possessiva?
Dra. Tessari:
 De uma certa forma, pela própria educação que tivemos, todos nós somos um pouco possessivos quando queremos que alguém fique conosco ao nosso lado e desejamos que esta pessoa tenha toda a sua atenção voltada só para nós! Todas as pessoas ciumentas têm um forte sentimento de posse em relação ao outro, a ponto de considerá-lo como alguém que lhes pertence, como se ele fosse um objeto seu. Então, quanto mais ciumenta for a pessoa, mais possessiva ela se torna a ponto de querer ter o domínio total de todos os passos de seu parceiro.
 
Site Pe. Marcelo - O ciúme é uma doença? Como é visto o ciúme na Psicologia?
Dra. Tessari:
Não é uma doença no sentido médico, mas um distúrbio de comportamento que gera sofrimento, tanto para aquele que tem ciúmes como para aquele que é o objeto do ciúme. Ele é um dos sintomas de uma pessoa com baixa auto-estima.

Site Pe. Marcelo Rossi - O que é preciso fazer para a pessoa controlar esse ciúme?
Dra. Tessari:
A pessoa ciumenta além de causar sofrimento, também sofre muito com seu ciúme, tem baixa auto-estima, é uma pessoa insegura e dependente, deixa-se levar por sua imaginação, a qual está sempre voltada para o negativo (ela sempre imagina o pior!). Ela precisa de tratamento psicológico para elevar a sua auto-estima e, dessa forma, preservar o seu relacionamento. Já vi uma infinidade de casos em que relacionamentos terminam por causa do ciúme. E, pior ainda, esta pessoa ciumenta, que causou o término deste relacionamento, fica mais insegura ainda com o fim desta relação e, certamente, num próximo relacionamento, será mais ciumenta ainda, o que gera um círculo vicioso sem fim, com um sofrimento cada vez maior!

Fonte

 

ATENÇÃO!
Você acabou de ler uma entrevista feita com a Dra Olga Inês Tessari

Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" 
Escritora - Palestrante - Pesquisadora - Consultora

Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia).
Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias.
Desenvolve e ministra palestras, cursos, além de projetos específicos para empresas.
Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral
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Dra Olga Inês Tessari
Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984
Pesquisas - Consultoria - Supervisão Clínica
Escritora - Palestrante
CRP06/19571-6
 
Consultórios em São Paulo - SP
Tel: (11) 6605-6790  e (11) 9772-9692

 
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