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Pedofilia agride ser humano
Publicado no site do Padre Marcelo
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por Rodrigo Herrero
O Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA) existe para protegê-los, a sociedade reprova os atos contrários, as pessoas possuem discursos
longos e severos contra a prática de pedofilia. Mesmo assim, a cada dia que passa o número de casos registrados eleva-se e
crianças e adolescentes se perdem em meio aos abusos cometidos pelos adultos.
A pedofilia refere-se à atração sexual
de crianças e adolescentes. A classificação internacional das doenças classifica a pedofilia como um dos transtornos de preferência
sexual e uma doença quase que exclusiva dos homens. O indivíduo deve ter mais de 16 e ser cinco anos mais velho que sua vítima
para se caracterizar o caso.
Para se ter uma idéia, desde 1997 a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção
a Infância e à Adolescência (Abrapia) possui desde 1997 um telefone para denúncias sobre violência sexual contra crianças
e adolescentes, através do número 0800-99-0500. Entre fevereiro daquele ano e o mesmo mês de 2003, foram registradas 55.706
ligações, com 5.070 definindo-se como denúncias corretas. Desse total, 63% consistem em abuso sexual e 37% em exploração sexual.
No caso do abuso, 40% acontecia fora da família, mas 60% verificou-se dentro da família (pai, padrasto, tio).
E é na
família que são contadas as piores histórias. É o caso de Cristina (nome fictício), 17, que começou a ser abusada sexualmente
por seu pai com oito anos de idade. Ela relata que seu pai costumava abusá-la das mais variadas formas quando não havia ninguém
em casa e dizia que ela não devia contar para ninguém, senão ele ia deixar de gostar da filha.
Cristina conta
que na adolescência ela passou a fugir dos desejos do pai, porém ele começou a bater na moça e ameaçá-la, caso contasse para
sua mãe. “Eu achava tudo aquilo (sexo) muito nojento, tentava não fazer. Eu tinha muito medo do meu pai e do que ele
fosse capaz de fazer comigo, por isso acabava consentindo e fazendo”, conta.
Seu pai não a deixava sair de casa,
ter amigos. Até que um dia, uma amiga de sala que achava estranho o comportamento de Cristina – tão apagado e sempre
com alguma desculpa para não passear com as colegas – notou uma mancha preta no corpo da garota e fez Cristina
contar toda a história. Ambas levaram o caso até a orientadora da escola que tentou ajudar e acabou por mudar o rumo daquela
jovem.
“Minha mãe não acreditou em nada do que a orientadora disse, dizia que eu era uma vagabunda e que ficava
tentando o meu pai. Ela me botou para fora de casa, fui morar com minha tia que também achava que eu era a culpada. As pessoas
da família toda me olhavam esquisito, eu queria morrer”, diz Cristina.
Essa situação é comum, segundo a psicóloga
e psicoterapeuta Olga Tessari, pois os familiares costumam omitir-se ao problema e defendem o adulto. “A família deveria
ser totalmente solidária à criança, uma vez que ela é um ser em formação ainda, que não sabe se defender e que muitas vezes
ainda nem tem idéia definida do que seja sedução ou sexualidade”, considera.
Após o episódio, Cristina fugiu
de casa e rumou para São Paulo para tentar vida nova, até que encontrou uma mulher que lhe deu assistência, moradia e a encaminhou
para uma psicóloga para tentar superar esse trauma. “Não consigo namorar, pois tenho muito nojo que alguém encoste em
mim. Morro de inveja de minhas amigas”, coloca.
Tessari afirma que essa aversão ao sexo oposto é algo também
normal de acontecer na vítima de pedofilia, que passa a ver o sexo como um ato repulsivo. “Um tratamento psicológico
é fundamental para que a pessoa reveja suas crenças e conceitos a respeito da sexualidade, aprender que sexo é algo que faz
parte da natureza humana e que pode sim trazer muito prazer”, acredita.
Outra recomendação da psicóloga é que
a vítima seja afastada do convívio familiar, pois, as crianças “dificilmente” retornam à família e optam por iniciar
uma nova vida. “Vejo que minha vida tomou um rumo totalmente diferente por causa disso tudo e acho que todas as meninas
que passam por esse problema devem denunciar sem medo das conseqüências, porque eu sei o sofrimento que elas passam com o
pai que não está sendo um pai de verdade”, finaliza Cristina.
Nota da Redação: A pedido da entrevistada,
seu nome, bem como o local onde tudo aconteceu foram omitidos da reportagem.
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É preciso coragem
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Da Redação Fonte
Para entender a pedofilia é necessário compreendê-la
sob vários pontos de vista, desde o agressor até o da vítima, passando pela família, que muitas vezes se omite nesses casos
e vai contra a criança que sofre o abuso sexual.
Com esse objetivo entrevistamos a psicóloga e psicoterapeuta Olga
Tessari, que vai esmiuçar em detalhes o que acontece com a pessoa violentada e as conseqüências disso em seu desenvolvimento.
Ela também explica se há relação de um pedófilo com sua infância e dá um recado a quem já foi vítima disso. Confira os principais
trechos da conversa feita por email.
Site
Padre Marcelo Rossi – O que leva uma pessoa a abusar sexualmente de uma criança/adolescente?
Dra.
Olga Tessari: As explicações para este tipo de comportamento são várias: pode ser uma pessoa que apresenta uma dificuldade
em relacionar-se sexualmente com adultos, que se sente insegura e ansiosa diante desta situação e que, na relação com as crianças
sente que tem o controle e o poder em suas mãos. Muitas vezes, a figura da criança tem um valor emocional muito grande para
o agressor e ela satisfaz algumas de suas necessidades psicológicas, como por exemplo, sua imaturidade emocional, sua baixa
auto-estima, seu desejo de ter o controle sobre suas mãos, etc...
Site Pe. Marcelo – O fato de um adulto
vir a cometer isso pode ter ligação a algum trauma quando criança?
Dra. Tessari: Alguns pedófilos
foram vítimas de abuso sexual em sua infância e aprenderam, erroneamente, que este tipo de comportamento traz prazer para
o adulto. Então, quando eles se tornam adultos, eles supõem que seu prazer sexual será maior e mais intenso se mantiverem
relações com uma criança.
Site Pe. Marcelo – Por outro lado, a pessoa que sofre isso na infância pode
vir a ser um pedófilo na maioridade?
Dra. Tessari: Nem toda pessoa que sofreu de abuso sexual
na infância torna-se um pedófilo na idade adulta. Pelo contrário, na maioria dos casos, crianças que sofrem abuso sexual e
não tem seu desenvolvimento sexual de forma natural e saudável são adultos com muitas dificuldades em manter relações
sexuais ou mesmo de confiar nas pessoas de uma forma geral, tornando-se pessoas inseguras e muito ansiosas, sempre fugindo
de situações onde possam estar a sós com alguém do sexo oposto.
Site Pe. Marcelo Rossi – E quando esse
abuso ocorre dentro de casa, por um padrasto, tio, pai, etc?
Dra. Tessari: É muito comum
a mãe não acreditar que o seu marido seja um pedófilo e incutir a culpa do ato do marido na criança, como se ela houvesse
provocado este adulto para o ato sexual. Em geral, quem denuncia o pedófilo é um vizinho ou um amigo que percebe o comportamento
estranho da criança.
Site Pe. Marcelo – Há alguma forma de perceber isso?
Dra.
Tessari: É importante estar atento ao comportamento da criança diante de seu pai, tio, etc. Se ela evita de ficar
perto desses homens ou mesmo tem uma expressão de medo diante deles, deve-se ficar atento e tentar fazer o flagrante quando
pai e filha estiverem a sós. Muitas vezes a criança começa a chorar quando a mãe vai sair, implora que ela fique em casa,
tem um comportamento desesperado quando percebe que vai ficar sozinha com o homem.
Site Pe. Marcelo –
É possível superar tal trauma?
Dra. Tessari: É difícil porque, se a criança não pode confiar
em seus pais, vai confiar em quem? Mas o tratamento psicológico é fundamental e na medida em que ele avança, a criança/adolescente
vai superando este trauma e consegue chegar a ter uma vida normal. É importante que o tratamento seja feito até o final, mesmo
que seja longo.
Site Pe. Marcelo – Qual recado que você pode dar a uma adolescente que tenha sofrido
abuso sexual?
Dra. Tessari: Não tenha medo de denunciar a pessoa que abusou sexualmente de
você, ela é uma pessoa doente e precisa de tratamento e você é a vítima, embora sua família possa dizer o contrário, que você
é a culpada de ter seduzido a pessoa! Você vai passar por maus momentos a princípio, mas no final, vai agradecer a si mesma
por se livrar do fardo de se sujeitar aos caprichos de uma pessoa insana.
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ATENÇÃO! Você acabou de ler uma entrevista feita
com a Dra Olga Inês Tessari Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" Escritora - Palestrante - Pesquisadora -
Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos,
timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher,
do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos,
parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento
e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias. Desenvolve e ministra palestras, cursos, além
de projetos específicos para empresas. Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral Visite
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