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Impaciência também pode ajudar
Sentimento pode ser o motor para a busca de algo melhor
Publicado no site do Padre Marcelo
08/10/2005 12:10:00
Da Redação
Apesar da paciência e da serenidade se mostrarem importantes no desenrolar da vida dos seres humanos,
algumas pitadas de inquietação, insatisfação e até da própria impaciência podem ser ingredientes vitais na confecção da receita
de uma carreira profissional e de uma vida pessoal mais apimentada, fora da rotina e da acomodação.
E quem nos mostra ser possível ver algo positivo a respeito da pessoa se mostrar impaciente perante
os problemas que enfrenta é a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari, que vê o aspecto positivo da impaciência no fato
de ser um elemento que motive a pessoa na busca para resolver seu problema.
“Tanto a inquietação quanto a impaciência são estados
de excitação, de nervosismo, de preocupação, de ansiedade. Ou seja, no momento em que estamos impacientes, ficamos ansiosos
e a ansiedade traz inquietude, agitação”, explica Olga.
“A insatisfação caminha comigo. Eu acho importante, pois essa coisa de se acomodar com o que
tem e não almejar nada mais é a mesma coisa que morrer. Imagine eu, com 25 anos, só porque tenho um trabalho estável não vou
buscar mais nada profissionalmente? Não, tenho que encontrar objetivos a cada dia que levanto e persistir neles e não aceitar
pacientemente meu destino. É isso que move o ser humano”, afirma o consultor de vendas, Inácio Tadeu.
A psicóloga Olga alerta para o lado nocivo da paciência: “Muitas vezes a paciência pode mascarar
a submissão ou o conformismo. Há pessoas que passam a vida em busca da solução perfeita, anos e anos arquitetando um plano perfeito que nunca se concretiza, enquanto outras, por impulso, acabam por agir de
forma impaciente e resolvem o problema”, diz. Portanto, vale a pena dosar a paciência para trazer benefícios à sua vida.
É preciso ser paciente
Paciência é uma virtude, diz psicóloga Olga Inês Tessari
por Rodrigo Herrero
“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma/Até quando o corpo pede um pouco mais de alma/A
vida não pára. Enquanto todo mundo espera a cura do mal/E a loucura finge que isso tudo é normal/Eu finjo ter paciência./O
mundo vai girando cada vez mais veloz/A gente espera do mundo e o mundo espera de nós/Um pouco mais de paciência”.
O trecho acima da canção “Paciência”, do cantor Lenine, parece sintetizar o mundo de hoje
com uma precisão assustadora, em que a urgência das obrigações, a satisfação das necessidades buscada a toda prova, a pressa
nas ruas e calçadas das grandes metrópoles, tudo põe em cheque a humanidade, que parece ter perdido o rumo próprio das coisas
em alguma esquina da História.
E para falar sobre a paciência, elemento raro nos tempos atuais, convidamos a psicóloga e psicoterapeuta
Olga Inês Tessari, que trata da importância de possuir a calma necessária para as atividades cotidianas, bem como em lutar
para alcançar objetivos. O famoso ditado “a pressa é inimiga da perfeição” nunca fez tanto significado como agora.
Confira os principais trechos da entrevista.
Site Padre Marcelo Rossi – Ter paciência pode significar uma virtude?
Olga Tessari: A paciência é mesmo uma virtude: é a capacidade de aceitarmos que nem tudo pode ser
da forma como desejamos ou gostaríamos que acontecesse; é a capacidade de suportarmos determinadas situações ruins esperando/buscando
o melhor depois. É também a capacidade de entender que todas as pessoas são diferentes entre si e que nem sempre elas nos
entendem, desejam ou agem da forma como queríamos que elas agissem!
Para viver e conviver em sociedade é preciso mesmo ter paciência: afinal, cada pessoa está preocupada
em satisfazer as suas próprias vontades, os seus desejos e nem sempre o que uma pessoa deseja é o que a outra deseja e vice-versa.
Além disso, é preciso ter a paciência de esperar que as coisas aconteçam da forma como devem acontecer, que nem sempre o tempo
que desejamos e esperamos é o tempo de algo acontecer. Como está escrito na Bíblia, tudo tem o seu tempo: tempo de plantar,
tempo de colher... precisamos saber esperar este tempo passar!
Site Pe. Marcelo – O que pode explicar a costumeira falta de paciência das pessoas em alcançar
objetivos, conquistar coisas, etc...?
Olga Tessari: Nascemos egoístas, viemos de dentro da barriga da mãe onde todas as nossas necessidades
eram satisfeitas de imediato. Ao nascermos, passamos a descobrir, mesmo que seja a contra gosto, que o mundo não gira ao nosso
redor, que nem todas as nossas necessidades são satisfeitas da forma ou no momento exato em que desejamos. Na medida em que
vamos crescendo e convivendo com outras pessoas, percebemos que é preciso ser paciente para poder conviver bem com elas e
sermos felizes.
Pessoas impacientes, em geral, não sabem lidar com limites, costumam vir de famílias que, por excesso
ou falta de amor, sempre satisfizeram as suas vontades enquanto crianças. São pessoas que não aceitam um não como resposta,
justamente porque não aprenderam dentro de casa a lidar com este limite.
Site Pe. Marcelo – O cotidiano que vivemos pode responder a essa impaciência?
Olga Tessari: De certa forma sim, porque estamos sempre correndo, sempre agitados, sempre sendo cobrados
a fazermos algo imediatamente, sem muito tempo para pensar. Há determinadas situações que, ou decidimos de imediato ou perdemos
a chance de algo bom para nós mesmos, embora, em geral, na maioria das vezes em que agimos por impulso ou por impaciência,
costumamos ter mais derrotas, erros e sofrimento do que vitórias ou acertos.
Site Pe. Marcelo – O que fazer para buscar um equilíbrio na vida que traga a tranqüilidade como
algo permanente para poder realizar as coisas?
Olga Tessari: Em primeiro lugar, aceitar que nem tudo é da forma como gostaríamos que fosse: isso
não é conformismo, mas aceitar aquilo que não pode ser mudado por nós mesmos, aquilo que independe de nossa vontade. Em segundo
lugar, aceitar que problemas fazem parte da vida e que o melhor a fazer é resolvê-los de maneira que não tenhamos outros problemas
futuros gerados pela impaciência de solucioná-los de imediato, sem refletirmos mais detidamente ou sem nos importarmos com
as conseqüências de uma atitude impaciente.
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ATENÇÃO! Você acabou de ler uma entrevista feita
com a Dra Olga Inês Tessari Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" Escritora - Palestrante - Pesquisadora -
Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos,
timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher,
do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos,
parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento
e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias. Desenvolve e ministra palestras, cursos, além
de projetos específicos para empresas. Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral Visite
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