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Jogos Eletrônicos e Violência

 

Crianças não são afetadas

Jogos eletrônicos não incentivam violência, diz psicóloga



Publicado no site do Padre Marcelo
26/11/2005 12:11:00

 

 

Por Rodrigo Herrero

 

Um debate delicado é quanto aos jogos eletrônicos incentivarem ou não a violência nas crianças. Para a psicóloga Olga Tessari, apesar da controvérsia em torno do tema, não são os jogos que incentivam a violência, mas sim o meio em que a criança vive. Isto é, o comportamento dela dependerá de como será educada, bem como a conduta que seus pais fornecerão como modelos que são.

 

E, quando o espelho não reflete coisas agradáveis, na visão da psicóloga, a criança busca outras formas para se espelhar, seja nos jogos ou em outras pessoas ou coisas. Caso a criança apresente agressividade por conta do jogo, a verdade é que ela não está feliz consigo e coloca para fora de alguma forma sua insatisfação.

 

“A criança emocionalmente saudável brinca com o jogo por um tempo, mas logo se cansa. Os jogos não interferem na sua vida real nem nos seus compromissos com a família, com a escola e com os amiguinhos. Para estas crianças é apenas um jogo, que até pode estimular determinadas brincadeiras, mas nada além disso. Crianças que se tornam viciadas em jogos eletrônicos revelam que algo não vai bem com elas, pois são impacientes, ansiosas e buscam no jogo uma satisfação que não tem dentro de si mesmas”, explica.

 

A telefonista, Luciana Almeida, 25, acredita que o comportamento de seu filho, Guilherme, 4, está ligado ao fato que o irmã dela, João Almeida, 20, passa boa parte do dia brincando de jogos violentos de computador. “Meu filho fica horas do lado do meu irmão, assistindo tudo. Desde que o João comprou esses jogos o Guilherme não pára quieto, ficou respondão”, crê Luciana. 

 

Brinquedo = Crime?

 

Segundo pesquisa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), entrevistas feitas no antigo complexo penitenciário do Carandiru com os presos de maior periculosidade, nenhum afirmou brincar com armas de brinquedo quando criança. Mesmo assim, já faz anos que a Abrinq não fabrica mais esse tipo de brinquedo. “Nós tiramos de linha porque foi tanto problema na imprensa isso”, diz o presidente da entidade, Sinésio Batista.

 

A posição da Abrinq, segundo ele, é que a arma de brinquedo não prejudica ninguém, pois a criança brinca com o imaginário, com o lúdico, sendo que a violência não faria parte desse contexto. “Ninguém é bandido por isso. É só uma forma de extravasar a violência. Se alguém quer ser contra que seja contra os filmes com aquelas armas loucas que as crianças tanto gostam”, afirma.

 

A psicóloga Olga Tessari corrobora a tese de que os jogos, em geral, têm essa função de descarregar as energias armazenadas, além de estimular o raciocínio, a criatividade, a atenção, a memória, a coordenação motora fina e a estratégia. “Antigamente as crianças brincavam entre si com lutas, espadas improvisadas, corridas, mocinho e bandido ao vivo, na rua com coleguinhas. Como hoje em dia o espaço para as brincadeiras com coleguinhas tem se limitado cada vez mais, a criança busca no jogo uma alternativa para estas brincadeiras e para ‘descarregar’ a sua energia típica”, opina.

 

Segundo a psicóloga, os jogos eletrônicos não levam o ser humano, independente de ser uma criança ou um adulto, a praticar um crime algum dia, o mesmo vale para aqueles que nunca jogaram, que podem, um dia, fazer algum ato que atente contra a humanidade. Isso porque, como ela destaca, trata-se de uma questão de valores éticos e morais formados pela família ou pelo meio no qual a pessoa está inserida.

 

“O que pode acontecer, com a prática indiscriminada dos jogos eletrônicos aliado ao sensacionalismo televisivo e à falta de valores da família, é a banalização da violência, pois as pessoas passariam a encará-la de uma forma comum, tornando-se menos sensíveis a situações que antes causavam indignação ou constrangimento. Mas, para que isto ocorra, é preciso que a criança esteja no seio de uma família onde os valores éticos e morais não sejam bem definidos ou o relacionamento familiar não seja coeso”, finaliza a psicóloga.

 

 

Outras atividades ajudam

Leitura de histórias afasta crianças de jogos violentos

 

 

Da Redação

 

Estudo feito pelo psicólogo e fonoaudiólogo Carlos Brito, professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), defende a leitura de contos de fadas como fator desmotivador das crianças em relação aos jogos eletrônicos e sua violência. A tese foi apresentada no Congresso de Tecnologia na Educação, realizado no final de agosto no Centro de Convenções.

 

A tese se chama “O universo da fantasia dos contos de fadas no cotidiano das crianças seduzidas pela virtualidade dos jogos de computador” e crê no contato com a literatura infantil para tornar as crianças mais críticas a respeito das narrativas dos jogos de ação e violência. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com crianças entre 8 e 9 anos de duas escolas de classe média-alta de Recife, além de visitas em lan houses (casas de jogos eletrônicos e acesso a internet).

 

Alternativa

 

A psicóloga Olga Tessari recomenda outras formas de divertimento que podem ser mostradas à criança antes desse tipo de jogo, como leitura de histórias, a prática de esportes, plantar uma horta, brincar com argila, aprender origami, andar de bicicleta,  ter animal de estimação, brincar com ele e ser responsável pelos cuidados com ele “podem ser atividades tão ou mais interessantes do que os jogos onde a criança tem que destruir obstáculos e criaturas virtuais”.

 

Mas ela faz uma ressalva: “É importante que estas atividades sejam oferecidas de forma natural, como algo que pode trazer muito prazer e com resultados, sem fazer uso da imposição ou mesmo como ‘castigo’ para não brincar com games”.

 

A psicóloga explica que não se deve proibir a criança de brincar com jogos eletrônicos, pois pode apenas piorar a situação. Além de oferecer outras atividades, é preciso estabelecer limites e horários para os jogos, assim como é importante observar o comportamento dos filhos cotidianamente. “Os pais são responsáveis pelos seus filhos e pelo futuro deles como pessoas, portanto, não devem neglicenciar a atenção para com eles, devem manter um diálogo aberto e franco nem que seja por alguns minutos ao dia, pois este é o melhor antídoto contra a violência”, sentencia.

 

Mais informações entre em contato com a psicóloga Olga Tessari pelo email: otessari@hotmail.com.  

 

FONTE 

 

 

ATENÇÃO!
Você acabou de ler uma entrevista feita com a Dra Olga Inês Tessari

Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" 
Escritora - Palestrante - Pesquisadora - Consultora

Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia).
Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias.
Desenvolve e ministra palestras, cursos, além de projetos específicos para empresas.
Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral
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Dra Olga Inês Tessari
Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 
Pesquisas - Consultoria - Supervisão Clínica
Escritora - Palestrante
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