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Proteção sim, mas
sem exageros
Publicado na Revista Meu nenê - Ano 8 - nº 91
Por Karina Fusco
É normal que toda mãe queira cuidar bem de seu filho,mas
preste atenção para não ir longe demais e comprometer o desenvolvimento do pequeno
Faz parte do instinto materno querer proteger o filho. Como o bebê humano é a espécie mais dependente
que existe na natureza, a proteção dos pais, principalmente da mãe, é fundamental para o bom desenvolvimento da criança. Há
Mães que entendem o significado da palavra proteção de uma forma um tanto exagerada. Elas chegam a ser verdadeiras guardiãs
de seus rebentos e ficam de plantão o tempo todo para que nehuma ameaça se aproxime
daquele ser tão indefeso que tem em casa.
Com a intenção de fazer o melhor para o filho, acabam
exercendo o papel de superprotetoras e não se dão conta de que este comportamento pode
ser prejudicial para o pequeno. “É importante que as crianças convivam
com outras pessoas tanto do ponto de vista social, para que saibam lidar com o mundo, como físico para fortalecer o sistema
imunológico, deixando que o organismo crie defesas e adquira resistências”, explica Marco Aurélio Sáfadi, coordenador
da Emergência Pediátrica do Hospital São Luís, de São Paulo.
De acordo com Enio Roberto de Andrade, diretor do Serviço
de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital das Clinicas de São Paulo, a criança tem de experimentar coisas novas
a todo momento . Para isso, a mãe precisa deixá-la correr, cair, errar e sofrer.
“São aprendizados necessários para ela saber fazer escolhas. Se a mãe não dá chance para o filho fazer descobertas,
está gerando insegurança” , afirma.
O cuidado necessário
A psicanalista Gislene Jardim, do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo,
explica que o modo como a mãe desempenha seu papel diante do bebê serve como modelo para a criança se relacionar. ”É
assim que ele cria progressivamente suas próprias condições de se defender dos perigos do mundo”, diz.
O comportamento materno de proteção ao bebê é normal e esperado.
Especialistas recomendam manter cuidados principalmente no primeiros 6 meses de vida. É importante
lavar as mãos antes de pegar no recém-nascido, manter o ambiente limpo, esterilizar chupetas e mamadeiras e seguir o calendário
de vacinas. Os cuidados são necessários, mas sem exagero.
Mas à medida em que ele constrói suas próprias possibilidades de se proteger, passa a demonstrar do
que é capaz e o que ainda não pode fazer sozinho. Por exemplo, aprende a balbuciar reclamando de fome, a engatinhar em busca
de um brinquedo ou a tirar a blusa quando está com calor. “Se estão atentos às pequenas conquistas do filho, os pais
reconhecerão que não precisam e nem devem interferirem cada um dos seus passos” , completa Gislene.
Exagero inconsciente
É lógico que o bebê precisa sempre de um adulto por perto para atender às sua necessidades. Muitas
mães, no entanto, usam esse pensamento como justificativa para não desgrudar da criança, principalmente nos primeiros meses.
Era o que fazia a arquiteta Vânia Valéria Gomes dos Santos, 44 anos, quando o filho Vinícius nasceu. “Na primeira semana
eu não deixava nem meu marido pegá-lo no colo. Ele dizia que também tinha direito de ficar com o filho, que estava me excedendo,
mas eu não percebia”, relata.
Toda vez que uma visita queria segurar o bebê, dava uma desculpa. Quando não tinha jeito , ficava
de prontidão. Com um ano o garoto ensaiava os primeiros passos e vivia levando seus tombos. Foi aí que ela decidiu enrolar
uma faixa na cabeça do pequeno para protegê-lo. Hoje, Vânia acredita que seu instinto fazia com que adotasse atitudes exageradas
inconscientemente. Mas ainda não relaxou de vez, mesmo Vinícius já tendo 3 anos. “Subo a escada dando a mão para ele
e só o deixo em lugares limpos”, diz.
Segundo a psicóloga Olga Inês Tessari, de São Paulo, as mães superprotetoras agem de forma impulsiva.
Mesmo que outras pessoas mostrem a elas que o comportamento é exagerado, a maioria não percebe. Ainda há aquelas que sabem
que estão fora do limite, mas não conseguem evitar. ”Ter conciência não significa mudança de comportamento, pois elas
relutam em alterar sua conduta”, completa.
Proteção declarada
A publicitária Daniela Ribeiro, de 27 anos, é uma mãe superprotetora declarada. Ela lembra que quando
a filha Bianca tinha um mês, só acordava para mamar uma vez por noite. Ela porém, verificava de hora em hora se a menina estava respirando. Eram as visitas, contudo, as piores ameaças ao seu sossego. Quando havia
crianças no grupo, certificava-se de que nenhuma estava doente. Na hora de servir algo, pedia para o marido fazê-lo, assim
não teria que sair do lado da filha. “ Meu marido falava para eu me desligar
um pouco, mas eu não conseguia”, diz.
Daniela conta que melhorou muito à medida que Bianca foi crescendo. “Ela foi me passando confiança
e eu consegui me soltar. Sei que meu comportamento não a deixou insegura, mas sim cuidadosa”, afirma. Porém ela ainda
tem como desafio deixar a menina com outras pessoas que não seja sua mãe, a avó. “Quando Bianca entrar na escola, eu
é que vou precisar de um período de adaptação” brinca.
A psicóloga Ana Maria Massa, coordenadora do Centro de Referência da Infância e da Adolescência da
Unifesp, diz que mulheres com essa característica precisam deixar de lado seus medos e conflitos e dar espaço para a criança
enfrentar obstáculos. Caso contrário, crescerão vulmeráveis.
O segundo filho é diferente
Geralmente, as mães de primeira viagem são as que exageram na dose.
Quando chega o segundo filho, estas mesmas mulheres abandonam os excessos. “A experiência que
esta mãe tem garante uma certa segurança. Além disso, ela tem que se dividir entre dois filhos”, diz Silvia Gasparian
Colello, professora de psicologia da educação da Universidade de São Paulo.
A administradora Mônica Bardella Garcia, de 35 anos, confirma. Ela conta que quando a primeira filha
Giullia nasceu, fazia de tudo para estar por perto. “Eu ficava incomodada em receber visitas, tinha medo que outras
pessoas a pegassem errado ou que se contaminasse com doenças”, diz.
O que ela aprendeu com o primeiro filho fez com que ficasse mais tranquila para cuidar de Isabela,
de um mês. Hoje, lida bem com as visitas e até deixa a irmã mais velha segurar a caçula no colo. “Me sinto mais segura
e confiante. Já saí para fazer a unha e ir ao supermercado e a deixei com a babá. Com a Giullia eu não saía para nada”,
diz.
Nada como a experiência para mostrar que tudo na medida é melhor.
Relaxe um pouco
Veja as dicas dos especialistas para que as mães superprotetoras
possam mudar de atitude
- Deixe de lado
a pretenção de ser a melhor mãe do mundo. Isso não existe e o que conta é o bem-estar do bebê.
- Considere-se
alguém fundamental na vida de seu filho, mas, gradativamente, permita que ele escolha seus caminhos.
- Permita que
a criança se manifeste de modo diferente do seu. Isso o ajudará a fortalecer a autonomia e a capacidade de resolver conflitos.
- Aprenda a conhecer
seu filho e a dialogar com ele.
- Faça prevalecer o bom senso toda vez que estiver cuidando dele.
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ATENÇÃO! Você acabou de ler uma entrevista feita
com a Dra Olga Inês Tessari Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" Escritora - Palestrante - Pesquisadora -
Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos,
timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher,
do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos,
parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento
e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias. Desenvolve e ministra palestras, cursos, além
de projetos específicos para empresas. Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral Visite o site: www.ajudaemocional.com e-mail |
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