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Amor ou amizade?
Publicado no Jornal da Cidade (Bauru) por Cristiane
Goto 03/12/2006
Fortes amizades podem se transformar em grandes histórias de amor; admiração, afinidades e companheirismo podem servir
de estímulo para a paixão, apontam psicólogos
De amigos a namorados. Esta transformação pode se transformar
em enredo de muitas histórias românticas, que, não raramente, pegam seus protagonistas de surpresa. Isto porque o clima de
aproximação, companheirismo e trocas de confidências típicas de uma amizade, em alguns casos, compõem o cenário ideal para
o surgimento de um grande amor.
Foi o que aconteceu com a contadora Veridiana Lopes
Vella, 25 anos, e o farmacêutico Márcio Roberto Ramos Ceresini, 27 anos. Juntos há quase três anos, eles se conheceram por
acaso, em 2000. Tudo começou em uma sexta-feira à noite, quando ela e duas amigas passeavam em um dos points noturnos da cidade,
a avenida Getúlio Vargas. “O Márcio estava com outro amigo e, no semáforo, brincou comigo. Depois deste dia, nos encontramos
novamente na Getúlio. Ele desceu e resolveu parar para conversar”, lembra.
As afinidades surgiram rapidamente, quando os dois descobriram
que haviam estudado no mesmo colégio. Desde então, Veridiana e Márcio se tornaram amigos. “Não havia segundas intenções.
Nós éramos muito amigos, a ponto de eu chegar a apresentar minhas amigas para ele conhecer”, diz. A amizade, cada vez
mais sólida, durou três anos.
Um dia, por obra do acaso - ou do destino -, a contadora
e o farmacêutico passaram a se olhar de forma especial. “Sempre acreditei na amizade entre homens e mulheres, e sem
segundas intenções”, reforça ela. “Uma vez, porém, acordei e percebi que havia algo diferente entre eu e o Márcio.
Achei até que estava ficando louca”, brinca.
Márcio também correspondia aos sentimentos de Veridiana,
mas os dois só ficaram juntos somente pela primeira vez um mês depois de se descobrirem apaixonados, conta ela. “Demorou
uma semana para tocarmos no assunto. Conversávamos quase todos os dias sobre isto. Nossa amizade era muito forte e tínhamos
muito medo de estragá-la”, conta ela.
Sentimentos de medo e insegurança são comuns em se tratando
de amizades que se transformam em amor, aponta a psicóloga e psicoterapeuta paulistana Olga Inês Tessari. “Quando as
pessoas se tornam amigas, podem até se apaixonar, mas evitam o romance porque preferem manter a amizade. Costumam pensar na
hipótese do relacionamento não dar certo e cada um seguir para um lado diferente, e acham que mais vale manter a amizade para
sempre”, detalha.
Mas assim como Veridiana e Márcio, ressalta Olga, existem
vários casos em que os amigos acabam se tornando namorados, se casam e vivem felizes. Experiência semelhante ocorreu com a
doméstica Carmem Cardoso, 34 anos, e o auxiliar de serviços gerais Alex Fernandes Antoniansa, 29 anos. Amigos desde a infância,
eles são casados há 13 anos e têm dois filhos, Alex e Isabel.
O fato de terem estudado na mesma escola e morado em
bairros próximos facilitou e incentivou a aproximação de Carmem e Alex. “Conheci meu marido por meio da prima dele,
que já era minha amiga. Logo nos tornamos amigos. Íamos e voltávamos do colégio juntos”, diz.
Ela conta que, apesar de mais novo, Alex era maduro
para sua idade. “Conversávamos muito. Contávamos segredos um para o outro e tínhamos diversas coisas em comum”,
revela. Entre elas, o fato de terem namorados que moravam em São Paulo. “O Alex falava dela para mim e vice-versa. E
não havia ciúmes”, diz. O tempo foi passando e os amigos acabaram se apaixonando. “Até hoje não sei direito como
foi que nossos sentimentos mudaram. Eu passei a admirá-lo e me encantar cada vez mais”, confessa Carmem.
Afinidades
É difícil explicar os motivos que fazem com que amigos
se apaixonem. O carinho e a própria admiração do dia-a-dia podem contribuir muito para relacionamentos duradouros.
Afinidades típicas dos amigos também influenciam, aponta
o psicólogo Ailton Amélio, professor doutor na área de relacionamento amoroso da Universidade de São Paulo (USP). De acordo
com ele, um dos fatores que caracteriza o sucesso nas relações afetivas é a similaridade. Neste sentindo, pessoas com personalidades
parecidas podem ser mais favorecidos.
Para psicóloga Olga Inês Tessari, a velha máxima de
que os “opostos se atraem, mas os iguais se identificam” pode ser um dos fatores estimulantes. “Quando a
pessoa se sente atraída por alguém oposta, pode ser muito interessante. Mas conviver com um indivíduo diferente, geralmente,
não dá certo, justamente por conta das diferenças. E os amigos, muitas vezes, costumam ser parecidos”, justifica.
Desvantagens
Apesar das afinidades, o relacionamento amoroso que
é fruto de uma amizade pode trazer algumas desvantagens. Uma delas fica por conta da própria intimidade e cumplicidade existente
entre o casal, destaca a psicóloga e psicoterapeuta paulistana Olga Inês Tessari.
“Se o casal já foi amigo anteriormente, se conhece
bem e sabe os limites, isto pode colaborar para o relacionamento dar certo. O ponto negativo é justamente o fato da pessoa
conhecer o outro tão bem que, se ao longo do relacionamento quiser ocultar alguma coisa, não conseguirá”, diz. “Por
exemplo, no caso de uma mulher que se abre com o amigo, contando tudo sobre outros amores, se ele se torna namorado, pode
ficar um pouco inseguro”, complementa.
Nestes casos, aconselha a psicóloga, é fundamental ter
jogo de cintura para lidar com os possíveis conflitos. “A pessoa deve reforçar para o outro que os relacionamentos antigos
fazem parte do passado e que o importante é o que eles estão vivendo atualmente”, diz.
A insegurança não afetou o relacionamento da contadora
Veridiana Lopes Vella, 25 anos, e o farmacêutico Márcio Roberto Ramos Ceresini, 27 anos. Embora já tenham sido confidentes,
ambos não deixam que isto atrapalhe o namoro atual. “Eu já chorei minhas mágoas para ele, contava coisas do ex e de
meninos que eu tinha conhecido. E ele também contava sobre as paqueras dele”, diz ela.
A contadora revela, porém, que no começo do romance
foi difícil se adaptar com a situação do namoro. “Quando passamos a namorar, me deparei com um lado da outra pessoa
que não conhecia”, diz. “Então aceitar a idéia de que o relacionamento mudou, de certa forma, é um pouco difícil.
A primeira vez que ele me chamou de ‘amor’ achei esquisito”, revela.
Com o passar do tempo, tudo se normalizou, conta Veridiana.
Ela ressalta que há inúmeras vantagens de se relacionar com o “namorado-amigo”. Uma delas é a confiança, que sempre
fez parte da convivência entre ambos e contribui muito para o relacionamento afetivo. “O Márcio mora em outra cidade
e, pelo fato de nos conhecermos bem, tudo é mais fácil. Apesar da distância, ele é uma pessoa presente na minha vida e eu,
na vida dele”, pontua. FONTE
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ATENÇÃO! Você acabou de ler uma entrevista feita com a Dra Olga Inês Tessari Autora
do livro "Dirija a sua vida sem medo" Escritora
- Palestrante - Pesquisadora - Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando
nas áreas de ansiedade, auto estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança,
do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de
pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...) distúrbios da alimentação (compulsão,
obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias. Desenvolve
e ministra palestras, cursos, além de projetos específicos para empresas. Consultora em temas de Psicologia para a mídia
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