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Vida é perdida ao vento
Publicado no site do Padre Marcelo
Rossi out/2004
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Da Redação
O chão. Carros, postes, prédios, pessoas. Uma variável de coisas atrapalha a visão e causa vertigem numa
mente confusa. O canto do cisne se aproxima e o corpo cai. Lamentos, lágrimas e perguntas ficam no ar: o que aconteceu para
ele se matar?
É preciso estar atento para as várias formas em que os desejos suicidas podem surgir. Uma pessoa desorientada,
só, deprimida, infeliz, pode ter este tipo de comportamento, que pode ser diminuído ou radicalizado, dependendo
do relacionamento dessa pessoa com a sua família, amigos, sociedade. Os cuidados com esses casos são intensos e merecem um
melhor conhecimento.
Em entrevista concedida por email, a psicóloga Olga Tessari contou ao Site
do Padre Marcelo Rossi os motivos que levam uma pessoa a querer se matar e o que precisa ser feito para fazer a pessoa
desistir dessa idéia, sendo vital a atuação da família para ajudar a pessoa com tendências suicidas.
Site Pe. Marcelo Rossi - O que leva uma pessoa a cometer
suicídio?
Dra. Olga Tessari: A conduta suicida, na verdade, é uma tentativa desesperada de solução de um problema,
embora seja uma alternativa inadequada. Ela acontece depois de várias tentativas de solucionar o problema (de todas as maneiras
possíveis e imagináveis para ela), não tendo encontrado nenhuma solução. Seria algo como a última saída para solucionar o
problema. Em geral, a conduta suicida está presente nas pessoas que padecem de depressão, alcoólicos ou dependentes químicos
e se agrava se houver sintomas psicóticos. Site Pe. Marcelo Rossi - Existe algum fator genético ou psicológico que já predispõe a pessoa a cometer
este ato?
Dra. Tessari: Não há pesquisas conclusivas que mostrem que o suicídio seja algo genético. Existem
alguns fatores que podem colaborar para a tendência ao suicídio: · o fato da pessoa ser impulsiva, não pensar para
agir, não medindo a conseqüência de suas atitudes; · a baixa capacidade ou mesmo a dificuldade para resolver problemas;
· pensamentos, atitudes e objetivos derrotistas ou inadequados; · fatores ambientais: problemas sócio-econômicos,
solidão, doenças crônicas. Site Pe. Marcelo Rossi - O que deve ser feito para demover o suicida dessa idéia?
Dra. Tessari:
É importante saber ouvir o suicida e saber dele os motivos que o levam a querer acabar com a sua própria vida. Não o critique,
nem adote uma postura crítica ou moralista. Após ouvir, propor e analisar, junto com ele, as dimensões do problema que ele
está enfrentando e buscar as possíveis alternativas. Aquele velho ditado de que duas cabeças pensam melhor do que uma vale
neste caso. Mas sempre de forma a ajudar e jamais querer impor nada para ele. Site Pe. Marcelo Rossi - A depressão é o primeiro passo
para o suicídio?
Dra. Tessari: Não necessariamente, embora seja um fator agravante. Na depressão a pessoa
sente-se como se estivesse sem saída para nada, não se sente em condições de fazer nada, fica prostrada. Então, como não age
e não consegue agir, pensa que seu caso não tem solução e começa a arquitetar seu suicídio como única forma para fugir de
todos os problemas insolúveis. Vale dizer que a auto-estima das pessoas depressivas é muito baixa, o que colabora para que
ela se sinta incapaz de fazer qualquer coisa. Site Pe. Marcelo Rossi - Há como perceber se uma pessoa está com desejos suicidas?
Dra. Tessari:
Existem alguns indícios que podem alertar para o fato da pessoa chegar a ter intenções suicidas, embora não sejam fatores
determinantes: · uma pessoa que vive solitária, que foge de qualquer convívio social, que vive cabisbaixa, fechada
em si mesma, que recusa convites, que prefere ficar trancada em seu quarto ou em seu mundo; · uma pessoa que vive
num meio familiar que não propicia a convivência e o diálogo; · comportamento agressivo; · doenças crônicas;
· dores fortes e insuportáveis provocadas por alguma doença; · depressão; · alcoolismo; · usuário
de drogas ilícitas; · psicoses. Site Pe. Marcelo Rossi - Qual o papel da família numa pessoa que se encontra com desejos suicidas?
Dra.
Tessari: É fundamental a participação da família! Em geral, pessoas com tendências suicidas vêm de famílias onde
inexiste o diálogo, a convivência. Muitas vezes, os pais são críticos, autoritários e não admitem serem questionados, não
estão abertos a dialogar e a entender que seu filho cresceu, que este filho pode ter idéias e pensamentos diferentes dos seus
e que deve ser respeitado. Site Pe. Marcelo Rossi - O suicídio é mais comum ocorrer nos jovens?
Dra. Tessari:
Ele pode ocorrer em qualquer idade. Tudo vai depender dos fatores acima apontados, embora, hoje em dia, em função da proliferação
do uso de drogas ilícitas, o número de jovens com tendências suicidas esteja em ascensão. Site Pe. Marcelo Rossi - Há alguma diferença
entre uma pessoa que resolve cortar os pulsos e uma outra que fica em cima de um prédio apenas ameaçando se jogar?
Dra.
Tessari: Muitas vezes, estas atitudes representam um grito desesperado de dizer para as pessoas o quanto tem sido
difícil e insuportável conviver com a realidade que ela está vivendo, de mostrar o seu sofrimento e da necessidade que a pessoa
tem de querer ser ajudada: seria algo como um pedido de socorro! Tanto que, quando a pessoa toma tais atitudes, ela "espera"
a ajuda. E, infelizmente, talvez esta seja a única forma de fazer com que as pessoas a sua volta prestem atenção nela e vejam
o quanto ela tem sofrido. Se houvesse mais diálogo e convivência familiar, certamente ela não precisaria recorrer a estas
atitudes tão drásticas. FONTE |
ATENÇÃO! Você
acabou de ler uma entrevista feita com a Dra Olga Inês Tessari Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" Escritora - Palestrante
- Pesquisadora - Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde
1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão,
orientação de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher,
do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios
da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento e aconselhamento de
adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias. Desenvolve e ministra palestras, cursos, além
de projetos específicos para empresas. Consultora em temas de Psicologia para a mídia em geral Visite o site: www.ajudaemocional.com e-mail
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