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Solidão possui dois lados
Publicado no site do Padre
Marcelo Rossi nov/2004
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por Rodrigo Herrero
A
solidão possui dois lados em uma mesma moeda: de uma forma a pessoa se sente abandonada por não ter amigos ou uma companhia
mais próxima, em outra ela pode ser por própria opção da pessoa, que se sente bem em ficar sozinha, pois sente-se livre.
Em
entrevista realizada por email, a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari fala sobre as pessoas que, pelos acontecimentos
da vida, escolhem ficar sozinhas, aproveitando os momentos de solidão como uma chance a si próprias e procura entender o que
leva jovens a ficarem reclusos em suas casas, solitários.
Site do Padre Marcelo Rossi - Em que a solidão pode
colaborar ou atrapalhar na vida de uma pessoa?
Olga Tessari: Isso depende de vários fatores.
Entre eles pode ser em relação à pessoa ter um problema. Isto ajuda, quando ela precisa de um tempo para ficar consigo mesma
refletindo acerca deste problema ou atrapalha quando ela não quer pensar nele ou quer fugir dele. Outro é em relação à liberdade
e independência. Certamente, nada melhor do que viver sozinho!
Site Pe. Marcelo - Há muitos que buscam morar
sozinhos, sua independência, etc. Porque uma pessoa opta por viver solitária?
Tessari: Provavelmente
porque sentem-se pressionados no ambiente em que vivem. Um exemplo é o de jovens que se sentem pressionados pelos seus pais,
por não poderem fazer tudo o que desejam, por terem limites e regras dentro de casa para seguirem e não aceitá-las. Na verdade,
ninguém opta por viver solitário, mas busca-se a solidão quando o convívio social não propicia satisfação, alegria ou bem
estar.
Site Pe. Marcelo - Existe algum prejuízo a pessoa que costuma viver solitária, sem uma vida social ativa,
sem muitos amigos, etc., em relação a uma pessoa que tem tudo isso?
Tessari: O ser humano
é, essencialmente, um ser social que gosta de viver e de conviver com grupos. Quando ele se afasta do convívio social, por
livre e espontânea vontade, certamente existe algum problema em relação a estes grupos ou a pessoa tem algum problema e não
quer que seus grupos tenham conhecimento do mesmo.
Site Pe. Marcelo - O sentimento de solidão pode ser despertado
em uma pessoa que é excluída socialmente?
Tessari: É claro que se ela é excluída socialmente,
acaba se sentindo solitária e sofre com isso, pois, como eu disse acima, o ser humano é um ser social que necessita se sentir
um membro participante de grupos. Exatamente porque a sociedade a exclui, ela sofre e muito justamente porque não optou pela
solidão.
Site Pe. Marcelo - Às vezes uma decepção amorosa contribui para a pessoa se afastar do mundo. Porque
isso ocorre? O que pode ser feito para mudar essa situação?
Tessari: Quando sofremos uma
decepção amorosa, na verdade, sofremos pela perda da pessoa amada e de tudo aquilo de bom que vivenciamos com ela. Este é
um momento de muita dor e é necessário permitir-se viver esta dor. É comum as pessoas se afastarem do convívio social até
porque toda perda e desilusão trazem consigo um luto e é preciso permitir-se viver este luto para depois recomeçar a viver.
Antigamente, as pessoas que perdiam alguém querido, isolavam-se do convívio social, vestiam-se com roupas de cor preta para
comunicar às outras pessoas que respeitassem a sua perda e ficavam em casa, chorando a sua perda, até que, devagarzinho, passado
algum tempo, voltavam à normalidade. Portanto, é normal, durante um curto período de tempo, a pessoa afastar-se do convívio
social para chorar a sua dor, até porque as pessoas em volta não entendem este choro e agem no sentido de querer que a pessoa
pare de chorar. Costumo dizer que todos temos uma quota de lágrimas para vertermos quando sofremos uma perda: enquanto não
choramos tudo aquilo que devemos chorar, não podemos voltar a viver normalmente. Portanto, para evitar que a pessoa se afaste
do convívio social diante de uma decepção amorosa, o melhor a fazer é enxugar as suas lágrimas e estar disposto a ouvir, pura
e simplesmente, sem dar palpites, as lamentações da pessoa. Esta é a melhor ajuda para a pessoa não se afastar do convívio
social.
Site Pe. Marcelo - Há muitos adolescentes que se trancam em seus quartos e utilizam-se da internet
para se comunicarem e extravasar suas frustrações. O que passa na cabeça desses jovens?
Tessari:
É na fase da adolescência que se inicia a construção da identidade do futuro adulto, portanto, todo adolescente passa por
um período de isolamento do convívio familiar e de união com os seus pares, aqueles que ele considera como seus iguais, adolescentes como ele. Este isolamento se faz necessário para que ele possa questionar melhor os valores
da família e, através dele criar os seus próprios valores. O seu questionamento pode vir através da rebeldia e do isolamento
e traz consigo o sofrimento de ter que deixar para trás a vida de criança para adentrar numa vida de responsabilidades, obrigações
e deveres. E com quem ele vai conversar sobre este sofrimento? Claro que é com seus pares, seus amigos, porque supõe que seus
pais não o compreendem, não aceitam seus questionamentos e suas mudanças. E daí ele vai isolar-se mais ainda deles, seja fazendo
uso da Internet (através de grupos de discussão, chats e de blogs), do telefone, do diário escrito, etc.
Site
Pe. Marcelo - O que pode ser feito no tratamento psicológico para reverter isso?
Tessari:
O tratamento psicológico é fundamental para a pessoa que sofre com a solidão, porque ela fica irritada, de mau humor, perde
oportunidades na vida e tem sua auto-estima muito baixa. É importante que ela descubra os fatores que a levam a este estado,
que aprenda a lidar com eles e os supere, para poder elevar a sua auto-estima e voltar ao convívio social. |
FONTE
ATENÇÃO! Você acabou de ler uma entrevista
feita com a Dra Olga Inês Tessari Autora do livro "Dirija a sua vida sem medo" Escritora - Palestrante - Pesquisadora - Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade,
auto estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação de pais, problemas específicos da criança,
do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas nos relacionamentos em geral (do casal, de
pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios da alimentação (compulsão,
obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais, casais, grupos e famílias. Desenvolve
e ministra palestras, cursos, além de projetos específicos para empresas. Consultora em temas de Psicologia para a mídia
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