|
Ciúme:
medo disfarçado de amor
* Entrevista com Dra Olga Inês Tessari*
*o texto está registrado
de acordo com a Lei de Direitos Autorais
Publicada
no Jornal Barão de Mauá
Por
Michele Pieri e Viviane Gomide Junho/2005
O ciúme é um sentimento de
medo de que alguém possua algo que julga pertencer. Segundo o psicólogo Odair J. Comin, até certo grau, o ciúme pode ser normal,
pois “somos seres afetivos e carentes de atenção, temos dificuldades de lidar com a rejeição, com a troca ou algo que
fira nossos sentimentos, sejam eles quais forem”.
Para a terapeuta Marilandes
Ribeiro Braga, o ciúme é algo que vem de dentro da pessoa. É um sentimento bem desagradável, que se liga à baixa auto-estima
e à insegurança. “Quando a pessoa gosta de alguém ou de alguma coisa, sente desejo de posse e isso induz ao ciúme. Muitas
vezes, o ciúme entre os pais pode levar os filhos pelo mesmo caminho”, diz ela.
Marilandes afirma que um pouco
de ciúme faz parte de qualquer relacionamento amoroso, mas quando esse sentimento se apossa do indivíduo, torna-se patológico,
doentio. “Talvez este seja o momento de buscar ajuda de especialista da área, um psicoterapeuta, pois não é muito fácil
identificar quando o ciúme passa do limite”, recomenda.
“Se analisarmos mais
detalhadamente o ciúme, podemos perceber, logo de início, que não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim
voltado para si mesmo, para quem o sente, pois é, na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade
sobre ele. É um sentimento egocentrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação”,
diz Eduardo Ferreira-Santos, psicoterapeuta e psiquiatra.
Eduardo afirma que existem
três tipos de ciúmes, o normal, mais comum, é a pessoa sentir-se enciumada em situações eventuais nas quais, de alguma forma,
se veja excluída ou ameaçada de exclusão na relação com o outro. Nesse caso, em que a pessoa é, supostamente saudável, o sentir-se
enciumado a leva a questionar-se sobre este sentimento. Ela chega a compartilhar com o outro isso e pode tirar algumas conclusões
importantes sobre sua forma de ser.
No segundo caso, a sensação
permanente de angústia e instabilidade, a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além da fragilidade da relação afetiva,
podem levar a pessoa a manter um permanente “estado de tensão”, temendo ser traída ou abandonada. “Qualquer
sinal do outro pode significar algo e a angústia da dúvida corrói a alma de quem é ciumento. A pessoa pode até não ter ciência
deste seu sentimento, permanecer em vigília o tempo todo, tensa, aflita, tomando atitudes destemperadas, sempre procurando
uma forma de confirmar suas suspeitas. Isto pode ir de um sombrio ato de vasculhar bolsas e bolsos, checar ligações telefônicas
e até seguir ou mandar seguir o outro pelas ruas em busca de provas de sua infidelidade. Suas reações no dia-a-dia são geralmente
agressivas, acusadoras, desconfiadas, causando um grande mal-estar na relação”.
Em uma terceira situação, ainda
mais grave sob o ponto de vista de comprometimento do psiquismo, podem ocorrer situações delirantes em que a desconfiança
do ciumento cede lugar a uma certeza infundada de que está mesmo sendo traído ou abandonado. “O chamado ciúme patológico,
também conhecido como ´Síndrome de Otelo´, em referência ao personagem shakespeariano que sofria deste mal, pode levar a pessoa
a cometer atos de extrema agressividade física, configurando aqueles casos que recheiam as crônicas policiais de suicídios
e homicídios passionais”, conclui Eduardo.
O tratamento do ciúme deve
ser buscado na medida em que trouxer sofrimento para a pessoa e a mesma não conseguir lidar com a situação. A hipnose, por
exemplo, é usada tanto para diagnosticar, como para descobrir de onde vem o ciúme, e buscar um melhor entendimento, como o
fortalecimento da auto-estima, indica Odair.
A pessoa ciumenta, além de
causar sofrimento, também sofre muito com seu ciúme, tem baixa auto-estima, é uma pessoa insegura e dependente, deixa-se levar
por sua imaginação, a qual está sempre voltada para o negativo. “Já vi uma infinidade de casos em que relacionamentos
terminam por causa de ciúme. E, pior ainda, esta pessoa ciumenta, que causou o término deste relacionamento, será mais ciumenta
ainda depois disso, o que gera um círculo vicioso sem fim, com um sofrimento cada vez maior”, acrescenta a psicoterapeuta
Olga Inês Tessari.
“De qualquer forma, o
complexo sentimento de ciúme, longe de ser aquele condimento que torna a relação amorosa mais apetitosa, é um sentimento que
leva, via de regra, ao sofrimento de quem o sente e, principalmente, de quem padece nas mãos de um ciumento desconfiado e
agressivo”, finaliza Eduardo Ferreira.
|
Dra
Olga Inês Tessari Autora do livro
"Dirija a sua vida sem medo" Escritora - Palestrante - Pesquisadora – Consultora Psicóloga e Psicoterapeuta desde
1984 (CRP06/19571) atuando nas áreas de ansiedade, auto estima, medos, timidez, pânico, stress, depressão, orientação
de pais, problemas específicos da criança, do adolescente, da mulher, do homem, da terceira idade, dificuldades e problemas
nos relacionamentos em geral (do casal, de pais com filhos, entre amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho, etc...), distúrbios
da alimentação (compulsão, obesidade, anorexia, bulimia). Atendimento e aconselhamento de adolescentes, adultos, pais,
casais, grupos e famílias. Desenvolve e ministra palestras, cursos, além de projetos específicos para empresas. Consultora
em temas de Psicologia para a mídia em geral Visite o site: www.ajudaemocional.com e-mail |
|