Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari
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Trocar de colégio, de casa, de turma, de namorado...
Se você está morrendo de medo de sair da mesmice, basta olhar a situação de
um jeito positivo!
Algumas mudanças a gente é obrigada a aceitar. Tipo quando o pai
é transferido pela empresa para um lugar distante. Mas têm outras que a
gente é quem decide fazer, mesmo com uma dor no coração. É o caso do fora
que resolvemos dar naquele namorado que amamos, mas que, no fundo, não
nos faz felizes. Ambas as transformações dão frio na barriga! E por que
isso acontece?
A psicóloga Olga Tessari responde: "Tudo que é novo assusta, já que a
tendência é acreditar que o desconhecido pode vir a nos trazer algo
ruim". Daí, o medo é tão grande que muitas garotas preferem ficar com o
velho e conhecido, mesmo que ele já não corresponda às expectativas. Só
que, quando desistimos antes mesmo de tentar mudar, também não consideramos
a possibilidade de que a situação nova poderá nos fazer mais felizes.
Larissa Passos, de 15 anos, é um exemplo disso. Ela decidiu que precisava
mudar de colégio. "Eu não estava contente com a minha turma de amigos e
insisti muito para meus pais me matricularem em outra escola. No começo,
me arrependi, mas logo consegui me enturmar. Agora, tenho várias amigas
nesse colégio". Para conhecer a galera da escola nova, Lari teve de vencer
a sua própria timidez. Taí outro ponto positivo das mudanças. "Elas nos
ensinam que nada é permanente, nos fazem crescer e nos deixam fortes para
lidar com os problemas da vida", diz a psicóloga.
Oportunidade ou desafio?
Morgana Martins, de 15 anos, virou uma verdadeira expert em fazer novos
amigos. Nos últimos cinco anos, perambulou com os pais da Bahia para
o Rio Grande do Sul, e, de lá, para o Maranhão. E pensa que a peregrinação
ficou por aí? "No final do ano vou para o Rio de Janeiro", conta. Sem endereço
certo por causa do trabalho dos pais, ela jura que já se acostumou a essa
"rotina". "Eu sempre aprendo com as mudanças que faço. Conheço novas culturas,
gente diferente e, assim, acabo amadurecendo também. Tento sempre ver o
lado bom das situações", ensina.
Segundo as especialistas, a estratégia da Morgana está certíssima.
Afinal, ver oportunidades em vez de desafios é o jeito mais fácil de lidar
com as transformações que nos são impostas. "Se a mudança é realmente necessária,
não adianta ficar reclamando. Melhor que isso é se abrir para aprender,
conhecer e experimentar as novidades que surgirem", indica Olga Tessari.
É claro que os primeiros dias depois de uma ruptura brusca são sempre os
mais difíceis. Portanto, é nessa fase que vai ser preciso esforçar-se para
tentar se adaptar à sua realidade. E uma tática que funciona, nesse sentido,
é evitar as comparações. "Não vale ficar lembrando as situações antigas.
Outra coisa que ajuda é se ocupar, buscar atividades que lhe deem prazer,
para não cair na melancolia", avisa a psicóloga.
A saudade faz parte
A leitora Paloma Souza Ferreira, de 16 anos, teve de ir, literalmente,
mais longe, por causa de uma mudança repentina de trabalho do pai
dela. Ela saiu de Porto Seguro, na Bahia, para Burgos, na Espanha, onde
vive há três anos. "No começo, eu achava tudo ruim. Sentia muita falta
das minhas amigas, quando me lembrava delas era aquela choradeira. Mas,
aos poucos, vi que dava para continuar em contato com as pessoas de quem
eu gostava no Brasil e, ao mesmo tempo, para fazer novas amizades aqui.
E agora estou tão acostumada com a minha vida que não tenho mais a mínima
vontade de morar em outro lugar", conta.
O bacana das experiências da Paloma e da Larissa foi que elas não deixaram
que a distância cortasse os laços que construíram com as galeras de
que se separaram. E, com tanta tecnologia, essa nem é uma missão do tipo
impossível, né? "Falo com meus amigos por MSN e pelo Orkut. E as amizades
de verdade não se perderam", garante Paloma.
Em seu depoimento, Paloma também confessou pra gente que chorou litros
por causa da mudança que precisou fazer. Coisa que, cá entre nós, qualquer
garota da mesma idade que ela faria. Mas olha só: ela também foi esperta
a ponto de não se entregar para a tristeza que a história toda provocou
nela. "É importante chorar e desabafar sempre que sentir vontade, afinal,
quando há uma ruptura, também acontece uma espécie de luto pelo que perdemos.
O que não vale é deixar que essa dor, que essa angústia a impeça de buscar
novas experiências e de seguir adiante", diz Olga Tessari. "Ter pena de
si mesma não vai resolver nada, só vai servir para colocá-la ainda mais
para baixo", complementa a psicóloga Silvia Malamud. Viu só?
Quando a barra pesa de vez
Agora, até pode acontecer de você não conseguir segurar a onda sozinha.
Então, se a sensação ruim insistir em ficar no seu coração por muito tempo,
nada melhor do que buscar ajuda. "Se a garota percebe que está se sentindo
triste na maior parte do tempo e que a melancolia da mudança está se prolongando
já por alguns meses, é sinal de que ela está realmente tendo dificuldades
de adaptação.
E, nesse caso, um psicólogo poderá ajudar muito", avisa Olga Tessari.
Além da ajuda especializada, você pode conversar com seus pais e amigos
mais chegados. Às vezes, basta ouvir alguém de fora para ter uma ideia
de como resolver o problema que está lhe incomodando e que parece não ter
saída. Experimente!
De turma nova
Na adolescência, é tudo de bom reunir uma galera com quem dá pra compartilhar
baladas e trocar ideias sobre tudo. Também é essa turma que, pelo
menos na teoria, vai nos dar aquela força quando alguma coisa der errado.
Por tudo isso, é muito difícil viver sem amigos. E, quando mudamos de endereço
ou de escola, é justamente o contato com essas pessoas que acaba correndo
um risco. Por outro lado, é também nessas situações que podemos aumentar
a nossa rede de contatos, nos aproximando de gente nova.
Então, para ajudá-la a se enturmar, algumas dicas das especialistas ouvidas
nesta matéria:
•Na escola ou no bairro novo, não tente fazer amizade com todo mundo
ao mesmo tempo, o que pode não funcionar. Melhor que isso é perder um tempo
observando, na classe ou na vizinhança, quais são as pessoas que se parecem
mais com você. Depois, num segundo momento, é dessa galera que vai tentar
se aproximar. Assim, as chances de levar um fora diminuem.
•Mesmo que seja tímida, tente ao menos demonstrar que está aberta às novas
amizades. Comece sendo educada com as pessoas, dizendo bom-dia e sorrindo
ao encontrá-las.
•Não há nada de errado em usar uma desculpinha esfarrapada para fazer
um primeiro contato com quem ainda não conhece. Do mesmo jeito que você
tem certo medo da reação dos outros, eles também podem estar meio inseguros
de se aproximar porque não sabem qual é a sua. Já pensou nisso?
•Depois dos primeiros papos com a turma, dê tempo ao tempo e não queira forçar,
de cara, uma intimidade que não existe. A confiança virá com a convivência,
à medida que você e seus amigos possam se conhecer melhor. Mude djá! Enquanto
algumas transformações são inevitáveis, tem uma porção de mudanças que
só dependem da gente para acontecer. Que tal aproveitar que o ano ainda
está no começo para resolver velhos dramas?
•Se a coisa que os seus amigos mais gostam de fazer é tirar uma com
a sua cara, já passou da hora de dar um tempo nessa turma e conhecer gente
nova. Uma boa pedida é tentar um curso de férias.
•Na sua casa rola o maior climão com a sua mãe ou com um irmão mais
velho? Que tal zerar de vez as mágoas com o fulano para tentar conviver
numa boa com ele? Ainda que vocês continuem sendo muito diferentes, pode
ser que, depois de uma conversa sincera, consigam chegar num acordo para
não entrar em conflito toda hora.
•Se é o seu namorado quem vive aprontando, pode ser que ele mereça,
no mínimo, um cartão amarelo antes de o ano acabar.
•Você percebeu que o ensino na sua escola já não é tão bom? Ou é o pessoal
de lá que não tem mais nada a ver? Pesquise novas escolas e apresente
a seus pais argumentos que sustentem a versão de que, no novo colégio,
você estará mais bem preparada para o vestibular.
Por fim, para investir em qualquer uma dessas mudanças, vai precisar de
coragem.
Matéria publicada na Revista Atrevida por Rita Trevisan em 2/3/2011
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